Minha história com os animais começou na infância. Minha primeira babá foi uma dálmata, a Joaninha, que veio morar com a gente antes mesmo de eu nascer. Ela fazia questão de avisar meus pais quando eu estava chorando no berço. Cresci com ela, acompanhei suas ninhadas e aprendi a cuidar e estar com cães.

Quando fui estudar Psicologia na adolescência, fiquei super mexida com o estudo do comportamento, o que me levou a trabalhar com educação de humanos. Acabei atuando  por 10 anos com comunidades, formando jovens e professores. Em todo o meu trabalho com educação, meu foco sempre foi trazer o potencial de cada um, ajudá-los a valorizar o que tinham de melhor e criar oportunidades para desenvolverem suas qualidades. Mal sabia eu que um dia traria toda essa visão para meu trabalho com cães.

Em 2008, decidi ter uma uma filha canina: a Magali, uma dálmata, claro!! (amor de infância). Mas, para a minha surpresa, ela era surda. Sua deficiência me desafiou a descobrir formas mais eficazes de me comunicar com ela. A partir daí, o interesse e o encantamento pelo comportamento animal só aumentou.

Passei a estudar, estudar e estudar (sim, muito!!) por meio de dezenas de livros e artigos científicos e me formar como treinadora.  Participei de diversos cursos, workshops internacionais, congressos, palestras e vivências práticas, até me tornar especialista no ano de 2016 em comportamento animal, pela pós-graduação da UNIFEOB, da qual fiz parte da primeira turma.

Paralelo aos estudos e formações, passei a atuar como treinadora de cães pela minha empresa Turma do Focinho, desde sua abertura em 2009. Atualmente, trabalho com consultoria comportamental à distância e presencial, formação de #tutoresprofissionais, formação de treinadores profissionais (à distância e presencial), educação de filhotes, dentre outros.

A partir do trabalho com minha Dálmata e com os cachorros que atendi, consolidei um método de trabalho baseado em três princípios básicos: a coerência, a persistência e a consistência. Com foco no bem-estar dos animais e no processo de aprendizado, utilizo apenas reforços positivos (brinquedos, petiscos, elogios, atenção, passeios, dentre outros) como recompensas para comportamentos desejados. Para evitar comportamentos indesejados, não utilizo punições positivas ou recursos aversivos (como borrifadores, latas com moedas, enforcadores, colares de choque etc). Assim, privilegio sempre alcançar emoções positivas nos animais com que trabalho.

Durante esse período, me especializei na comunicação entre os cães e tutores de modo geral e, especificamente, na comunicação com cães surdos, que apresentam o grande desafio da linguagem não verbal. Atualmente, sou tutora do Milka, nosso segundo Dálmata surdo, que já está sendo trabalhado, desde os dois meses de idade, com a língua de sinais.